Carregando agora

Novo tratamento busca combater esquistossomose desde a infância

Novo tratamento busca combater esquistossomose desde a infância

Farmanguinhos Arpraziquantel recebeu registro para tratamento de crianças de 3 meses a 6 anos infectadas por dois tipos de parasitas causadores da doença

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (30), o registro de um medicamento voltado ao tratamento da esquistossomose em crianças pequenas. O Farmanguinhos Arpraziquantel poderá ser utilizado em pacientes de 3 meses a 6 anos nos casos provocados pelos parasitas Schistosoma mansoni ou Schistosoma haematobium.

A autorização foi formalizada por meio de resolução publicada no Diário Oficial da União e representa uma nova alternativa terapêutica destinada especificamente ao público pediátrico.

Doença é problema de saúde pública

A esquistossomose é uma doença parasitária encontrada principalmente em regiões tropicais e subtropicais. A enfermidade está presente em áreas da África, Ásia, Caribe e América do Sul.

No Brasil, a doença é popularmente conhecida como “xistose”, “barriga d’água” ou “doença dos caramujos”.

A transmissão está associada ao contato com água doce contaminada onde existem caramujos infectados. Segundo informações do Ministério da Saúde, a esquistossomose apresenta relevância para a saúde pública em razão de sua prevalência e da possibilidade de evolução para quadros graves.

Embora algumas pessoas infectadas possam permanecer sem sintomas, determinadas formas da doença podem provocar complicações importantes.

Como funciona o novo medicamento

O princípio ativo aprovado pela Anvisa é o arpraziquantel, composto relacionado ao praziquantel, medicamento já utilizado no tratamento da esquistossomose.

Após a administração, o arpraziquantel é absorvido pelos vermes presentes nos vasos sanguíneos do paciente. A substância provoca espasmos musculares e paralisia nos parasitas, prejudicando sua capacidade de permanecer fixados aos vasos.

O medicamento também causa danos ao tegumento, estrutura que funciona como uma espécie de barreira protetora do parasita.

Com essa proteção comprometida, o sistema imunológico passa a ter melhores condições para eliminar os vermes.

Tratamento de crianças pequenas

A indicação pediátrica é um dos principais aspectos do novo registro.

Documentos técnicos discutidos pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) já apontavam o arpraziquantel como uma formulação dispersível e mais palatável desenvolvida para crianças de 3 meses a 6 anos.

O tratamento precoce da infecção pode ser particularmente importante em regiões endêmicas. Especialistas ouvidos durante discussões técnicas da Conitec apontaram que reduzir a carga parasitária ainda na infância pode contribuir para impedir a progressão da doença para manifestações mais graves.

Esquistossomose e saneamento

No Brasil, a esquistossomose está diretamente relacionada às condições de saneamento.

O ciclo de transmissão envolve pessoas infectadas que eliminam ovos do parasita pelas fezes. Quando esses ovos chegam à água, liberam larvas que infectam determinados caramujos de água doce.

Posteriormente, novas formas do parasita são liberadas na água e podem penetrar pela pele humana durante o contato com ambientes contaminados.

A prevenção envolve, portanto, medidas como saneamento básico adequado, acesso à água segura, diagnóstico, tratamento dos pacientes e ações de controle em regiões onde ocorre transmissão.

O registro do Farmanguinhos Arpraziquantel amplia as possibilidades de tratamento direcionadas às crianças pequenas, grupo para o qual a disponibilidade de formulações adequadas representa um componente importante no enfrentamento da doença.

Fonte: Agência Brasil, Anvisa, Ministério da Saúde e documentos técnicos da Conitec.

Publicar comentário