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COP17 discute investimentos para recuperar terras degradadas

COP17 debate investimentos para recuperar terras

Conferência da ONU reúne representantes de 196 países e da União Europeia até 28 de agosto para discutir medidas contra a desertificação e os impactos da seca

A COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação começou nesta segunda-feira (17), em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, com a participação de representantes de 196 países e da União Europeia. O encontro segue até 28 de agosto e tem entre os principais temas o combate à seca, a recuperação de áreas degradadas e o aumento do financiamento para ações ambientais.

As discussões têm a terra como eixo central. Os participantes também devem tratar da segurança hídrica e alimentar, da restauração de ecossistemas e da participação de povos indígenas, comunidades tradicionais, jovens e outros grupos da sociedade civil.

Um dos principais desafios da conferência é avançar na criação de um mecanismo internacional voltado ao enfrentamento das secas. A proposta já havia sido discutida na COP16, realizada em Riad, na Arábia Saudita, em 2024, mas não houve consenso entre os países.

Países discutem ações contra a seca

A secretária-executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Yasmine Fouad, defendeu que a COP17 avance da discussão para medidas práticas.

“Há um reconhecimento crescente entre as Partes de que terras saudáveis são a base para a segurança alimentar e hídrica, a resiliência econômica e o desenvolvimento sustentável”, disse Fouad à Agência Brasil.

Segundo ela, a conferência representa uma oportunidade para transformar negociações internacionais em ações concretas.

“ A COP17 oferece uma oportunidade não apenas de avançar nas negociações, mas também de demonstrar que a Convenção está se tornando, cada vez mais, uma plataforma para a entrega de soluções práticas e resultados mensuráveis”, complementou.

Mais de 70 países já possuem planos nacionais de enfrentamento à seca. A expectativa é que a conferência fortaleça mecanismos capazes de transformar essas estratégias em medidas efetivas de prevenção e resposta.

Financiamento é um dos principais desafios

Outro ponto considerado decisivo nas negociações é o financiamento para combater a degradação das terras. Segundo Louise Baker, diretora-gerente do Mecanismo Global da UNCCD, seriam necessários cerca de US$ 1 bilhão por dia até 2030 para alcançar os objetivos de proteção e recuperação dos solos.

“O investimento atual fica muito aquém desse patamar. O financiamento público desempenha um papel essencial na redução de riscos e na viabilização de fluxos muito maiores de investimento privado. É por isso que o financiamento é um foco central na COP17”, afirmou.

A conferência também deve discutir mecanismos capazes de aproximar o setor privado das iniciativas de restauração. A avaliação é de que empresas dependentes de matérias-primas agrícolas e naturais têm interesse direto na conservação dos territórios.

Segundo Baker, cada dólar destinado à restauração de terras pode gerar entre sete e 30 dólares em benefícios econômicos.

Metas para recuperar áreas degradadas

A COP17 também acompanha o avanço das metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN). Mais de 130 países já adotaram objetivos voluntários para evitar, reduzir e reverter processos de degradação.

No Brasil, levantamento realizado por órgãos do governo e instituições de pesquisa identificou cerca de 55 milhões de hectares de terras em processo de degradação em 2020, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

A participação brasileira na conferência inclui debates sobre as metas nacionais de neutralidade da degradação, o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca e iniciativas de recuperação de áreas afetadas.

Povos indígenas ganham espaço na conferência

Outro destaque desta edição é a participação de povos indígenas e comunidades tradicionais. Uma proposta apresentada pelo Brasil na COP16 levou à criação do chamado Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais, espaço oficial para articulação política e troca de experiências.

Na COP17, será a primeira vez que esses grupos terão esse espaço de destaque na agenda oficial da Convenção.

Além disso, a conferência prevê o lançamento de novos estudos internacionais sobre seca, degradação e resiliência dos territórios. Entre eles estão o relatório The Drying Planet – Drought in Numbers 2026, a terceira edição do Global Land Outlook e o primeiro Índice Mundial de Resiliência à Seca.

A expectativa é que as negociações na Mongólia produzam avanços concretos para ampliar a prevenção contra secas, recuperar terras degradadas e mobilizar recursos públicos e privados para ações de longo prazo.

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